Mercado financeiro e crise empresarial: Onde surgem as melhores oportunidades de investimento, com Felipe Rassi

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Felipe Rassi

Como menciona Felipe Rassi, especialista no mercado financeiro, existe uma assimetria profunda na forma como o mercado financeiro reage às crises empresariais. Para a maioria dos participantes, a crise de uma empresa é sinônimo de destruição de valor e de risco a ser evitado. Para uma minoria altamente especializada, a mesma crise representa uma das mais ricas janelas de criação de valor disponíveis no mercado, desde que acompanhada do conhecimento necessário para identificar, avaliar e explorar as oportunidades que ela abre. 

Essa distinção não é questão de apetite especulativo: é questão de expertise, de metodologia e de disposição para trabalhar em territórios onde a maioria dos investidores não se sente confortável. Leia mais a seguir e saiba mais!

Por que as crises empresariais criam oportunidades que mercados normais não oferecem?

Segundo Felipe Rassi, a lógica fundamental por trás das oportunidades geradas por crises empresariais é a de que situações de estresse forçam vendas que não ocorreriam em condições normais. Uma empresa em dificuldade financeira precisa de liquidez de forma urgente, e essa urgência cria uma disposição para negociar condições que seriam inaceitáveis em momentos de tranquilidade. Ativos que valem muito mais do que o preço pelo qual são oferecidos, dívidas que serão efetivamente pagas, mas que estão sendo vendidas com deságio expressivo porque o credor original não tem capacidade de esperar pelo recebimento, e participações societárias em empresas operacionalmente sólidas, mas financeiramente estressadas, são exemplos de oportunidades que surgem exclusivamente em contextos de crise.

A pressão regulatória sobre instituições financeiras em momentos de estresse sistêmico amplia ainda mais essa dinâmica. Quando os índices de inadimplência sobem de forma generalizada, os bancos são pressionados tanto pelo regulador quanto por suas próprias políticas internas a reduzir a exposição a créditos problemáticos, o que os leva a aceitar preços de venda que em outro momento seriam considerados absurdamente baixos. Para o comprador especializado que não está sujeito às mesmas pressões regulatórias e que tem a capacidade analítica de avaliar o valor intrínseco dos ativos independentemente do contexto de estresse, esse momento é precisamente quando a relação risco-retorno se torna mais favorável.

Felipe Rassi destaca que também há uma dimensão comportamental importante nessa equação. Em períodos de crise, o pessimismo generalizado tende a produzir uma precificação que incorpora os cenários mais negativos de forma desproporcional ao risco real. Empresas viáveis operacionalmente, mas que estão passando por dificuldades financeiras temporárias, frequentemente são tratadas pelo mercado com o mesmo desconto aplicado a empresas em estado terminal de insolvência. Investidores que conseguem separar o ruído do sinal, que distinguem entre empresas que precisam de reestruturação financeira e empresas que estão em declínio irreversível, encontram exatamente nessa confusão coletiva o espaço para construir posições com potencial de retorno excepcional.

Quais são os principais instrumentos que investidores sofisticados utilizam para acessar essas oportunidades?

A aquisição direta de carteiras de créditos problemáticos de bancos e outras instituições financeiras é o instrumento mais tradicional e de maior volume no mercado de oportunidades em crises empresariais. Essas carteiras, que podem conter desde dívidas de pessoa física em diferentes estágios de inadimplência até créditos corporativos complexos de empresas em recuperação judicial, são vendidas com deságios que variam amplamente dependendo do perfil do portfólio, da qualidade das garantias e das condições de mercado no momento da transação. As gestoras especializadas nessa modalidade desenvolvem modelos proprietários de avaliação que lhes permitem precificar cada carteira com uma combinação de análise estatística histórica e avaliação individual dos créditos mais relevantes.

Felipe Rassi
Felipe Rassi

Tal como indica o especialista no mercado financeiro, Felipe Rassi, a aquisição de dívida corporativa no mercado secundário, especialmente de debêntures e notas promissórias de empresas em dificuldade, é outro instrumento que cresceu de forma significativa no Brasil nos últimos anos. Investidores que compram esses títulos com deságio substancial em relação ao valor nominal apostam em dois cenários possíveis: ou a empresa se recupera e honra as obrigações, gerando um retorno expressivo sobre o investimento, ou o processo de reestruturação ou falência permite ao detentor do título negociar condições favoráveis na reconstrução da estrutura de capital da companhia. Em qualquer um dos dois cenários, a posição de credor com título de dívida oferece uma proteção legal que participações acionárias não proporcionam.

Como o atual ambiente do mercado brasileiro se posiciona em relação a essas oportunidades?

O Brasil vive, no momento atual, uma confluência de fatores que cria condições especialmente favoráveis para estratégias voltadas a oportunidades em crises empresariais. O ciclo prolongado de juros elevados comprimiu as margens de empresas alavancadas em praticamente todos os setores, a retomada lenta da atividade econômica após os choques dos últimos anos deixou muitas companhias com estruturas de custo inadequadas para o novo nível de demanda, e o mercado de crédito privado expandiu de forma significativa nos últimos anos, criando um volume maior de ativos que eventualmente passarão por ciclos de estresse. Esses fatores combinados produzem um fluxo crescente de oportunidades que ainda não foram plenamente absorvidas pelo mercado.

Como conclui o especialista em créditos estressados, Felipe Rassi, a maturação do ecossistema de gestoras especializadas em crédito estressado e reestruturação no Brasil, embora ainda em estágio inicial quando comparado a mercados como o americano ou o europeu, representa um avanço importante que facilita o acesso de investidores institucionais a essa classe de ativos. A presença de gestoras com histórico de performance documentado, com equipes multidisciplinares e com a capacidade de estruturar veículos de investimento adequados ao perfil de cada investidor reduz as barreiras de entrada e aumenta a confiança de alocadores que antes não tinham mecanismos eficientes para acessar esse mercado.

O papel dos escritórios de advocacia especializados em recuperação de crédito e reestruturação empresarial como parceiros estratégicos nesse ecossistema é um aspecto que merece destaque especial. Em um mercado em que a execução jurídica é frequentemente o fator determinante entre uma operação bem-sucedida e uma que consome recursos sem produzir resultado, a qualidade do assessoramento jurídico é uma vantagem competitiva tão relevante quanto a sofisticação financeira. 

Em síntese, as gestoras e investidores que constroem parcerias de longo prazo com escritórios que entendem tanto a dimensão jurídica quanto a lógica financeira das operações de reestruturação têm um diferencial real que se traduz em melhores taxas de recuperação e em maior capacidade de navegar as complexidades do sistema jurídico brasileiro.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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