Descarte inadequado de resíduos e a relação direta com doenças nas cidades

5 Min de leitura
Marcello José Abbud

A conexão entre resíduos sólidos e saúde pública é mais estreita do que a percepção cotidiana costuma admitir, e Marcello José Abbud, empresário e especialista em soluções ambientais, dedica atenção a esse vínculo ao analisar os impactos do descarte inadequado sobre as populações urbanas. Onde a coleta falha e o lixo se acumula em terrenos, córregos e vias públicas, surge um ambiente propício à proliferação de vetores e à transmissão de doenças que sobrecarregam o sistema de saúde.

Essa relação raramente entra na contabilidade dos custos de uma gestão de resíduos deficiente, mas seus efeitos se traduzem em internações, afastamentos e gastos públicos que poderiam ser evitados com saneamento adequado.

Quais doenças se associam ao manejo inadequado dos resíduos?

O lixo acumulado oferece abrigo e alimento a uma cadeia de organismos transmissores de doenças. Roedores associam-se à leptospirose, transmitida pelo contato com urina contaminada, frequente em períodos de enchente, quando o lixo obstrui a drenagem urbana. Insetos como moscas e baratas atuam como veículos de patógenos causadores de doenças gastrointestinais. Recipientes descartados que acumulam água da chuva tornam-se criadouros do mosquito transmissor da dengue, da zika e da chikungunya.

Conforme aponta Marcello José Abbud, a particularidade desse problema é seu caráter difuso: o descarte irregular em um único terreno baldio pode comprometer a saúde de todo um bairro, e o controle dessas doenças passa necessariamente pela eliminação dos focos que o lixo acumulado representa.

O chorume e a contaminação dos recursos hídricos

Além dos vetores visíveis, o manejo inadequado de resíduos compromete a saúde por uma via menos perceptível: a contaminação da água. O chorume gerado pela decomposição dos resíduos em lixões e aterros irregulares infiltra-se no solo e atinge o lençol freático, carregando carga orgânica e substâncias tóxicas. Em regiões que dependem de poços e nascentes para o abastecimento, essa contaminação chega diretamente às residências.

Marcello José Abbud
Marcello José Abbud

Sob o aspecto sanitário, Marcello José Abbud elucida que a contaminação hídrica produz efeitos de longo prazo difíceis de rastrear, pois doenças decorrentes da exposição continuada à água contaminada manifestam-se de forma gradual e dispersa, dificultando a associação imediata entre a fonte poluidora e o agravo à saúde da população exposta.

As populações mais expostas aos riscos sanitários

Os riscos à saúde associados aos resíduos não se distribuem de forma uniforme pelo território. Comunidades periféricas, áreas de ocupação irregular e regiões com cobertura precária de coleta concentram a maior parte do descarte inadequado e, consequentemente, a maior incidência das doenças relacionadas. Os catadores que trabalham diretamente sobre os resíduos compõem o grupo de exposição mais intensa e contínua.

Na interpretação de Marcello José Abbud, essa desigualdade na distribuição dos riscos transforma a gestão de resíduos também em uma questão de justiça ambiental. Universalizar a coleta e a destinação adequada significa, em termos práticos, proteger justamente as populações que hoje arcam com o maior ônus sanitário da deficiência do sistema.

Prevenção sanitária como retorno do investimento em saneamento

Investir em gestão adequada de resíduos produz retorno mensurável em saúde pública. A redução de doenças relacionadas ao saneamento diminui internações, consultas e gastos com medicamentos, aliviando o sistema de saúde e devolvendo produtividade à população. Estudos do setor de saneamento indicam que cada unidade monetária aplicada em coleta e destinação adequada retorna em economia de gastos com saúde.

O que se observa, portanto, é que a gestão de resíduos não compete com a saúde pública por recursos, mas é parte da política sanitária. Segundo a avaliação de Marcello José Abbud, integrar o planejamento de resíduos às estratégias de saúde dos municípios permite enxergar o saneamento como investimento preventivo, e não apenas como despesa de limpeza urbana.

Este conteúdo aborda informações relevantes sobre um tema delicado. Caso você ou alguém próximo enfrente questões de saúde relacionadas, é importante buscar orientação de profissionais e serviços de saúde adequados.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

Compartilhe esse artigo