O potencial energético dos resíduos: Descubra como o lixo pode se transformar em uma fonte de energia

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Odair José Mannrich

Grande parte dos resíduos produzidos pelas cidades ainda seguem para aterros, quando poderiam virar energia. O engenheiro e fundador da Versa Engenharia Ambiental, Odair José Mannrich, explica que esse aproveitamento acontece por diferentes caminhos, entre eles a biodigestão, o uso do biogás e os processos térmicos. Cada rota atende a um tipo de resíduo e resulta em formas distintas de energia limpa. Interessado em saber mais sobre? Continue a leitura e veja como esse processo funciona na prática e por que ele vem ganhando espaço na gestão urbana.

Como a biodigestão transforma resíduos orgânicos em energia?

A biodigestão utiliza microrganismos para decompor resíduos orgânicos em ambientes sem oxigênio. Como informa Odair José Mannrich, restos de alimentos, esterco animal e resíduos agrícolas entram em biodigestores, onde bactérias quebram a matéria orgânica ao longo de semanas. Esse processo gera dois subprodutos valiosos: o biogás e o biofertilizante, que retornam ao solo como adubo natural.

Isto posto, a biodigestão se destaca por transformar um passivo ambiental em insumo produtivo, reduzindo a pressão sobre aterros sanitários. O ganho ambiental se soma ao econômico, já que propriedades rurais e indústrias de alimentos conseguem gerar sua própria energia a partir do que antes era descartado.

Conforme ressalta o engenheiro Odair José Mannrich, esse modelo também reduz a emissão de gases de efeito estufa, já que o metano gerado pela decomposição do lixo em aterros abertos passa a ser capturado e transformado em energia útil, em vez de ser liberado diretamente na atmosfera.

O que é o biogás e qual seu papel nesse processo?

O biogás é a mistura de gases liberada durante a biodigestão, formada majoritariamente por metano e dióxido de carbono. Depois de captado, ele passa por um processo de purificação que remove impurezas e aumenta sua concentração de metano, tornando-o apto para queima em motores geradores ou caldeiras. Tendo isso em vista, o biogás purificado pode ser direcionado para diferentes usos dentro de uma propriedade ou indústria:

  • Geração de eletricidade para consumo próprio ou venda ao sistema elétrico;
  • Produção de calor para processos industriais e secagem de grãos;
  • Abastecimento de veículos adaptados, na forma de biometano;
  • Substituição do gás natural em caldeiras e fornos.
Odair José Mannrich
Odair José Mannrich

Essa versatilidade retrata o por que o biogás ocupa posição central entre as rotas de aproveitamento energético de resíduos, especialmente em setores como agropecuária, saneamento e agroindústria, que já convivem diariamente com grandes volumes de matéria orgânica.

Processos térmicos: o calor como aliado na conversão energética

Quando o resíduo não é adequado para a biodigestão, entram em cena os processos térmicos. Odair José Mannrich alude que a incineração controlada queima o material em altas temperaturas, gerando calor que aciona turbinas e produz eletricidade. Já a gasificação e a pirólise decompõem o resíduo sob calor intenso e pouco oxigênio, originando gases e óleos combustíveis.

Dessa maneira, os processos térmicos ganham relevância justamente onde a reciclagem convencional e a compostagem encontram limites, como em resíduos industriais complexos ou rejeitos que não têm outro destino viável. Essa rota amplia o alcance da recuperação energética para além da matéria orgânica.

Quais desafios ainda limitam o avanço dessa transformação no país?

De acordo com o engenheiro e fundador da Versa Engenharia Ambiental, Odair José Mannrich, a conversão de resíduos em energia ainda enfrenta obstáculos, como o custo inicial dos equipamentos, a falta de padronização regulatória entre estados e a escassez de linhas de financiamento voltadas a pequenos e médios produtores. Isto posto, o avanço dessas soluções depende menos de tecnologia e mais de planejamento e de políticas públicas consistentes de longo prazo.

Municípios que já testam esses modelos mostram que o retorno aparece de forma gradual, primeiro na redução do volume enviado a aterros e, depois, na economia gerada pela energia produzida internamente, o que ajuda a justificar o investimento inicial diante de gestores e investidores.

Da coleta à tomada: um caminho que já começou

Transformar resíduos em energia deixou de ser uma alternativa distante e passou a integrar o planejamento de cidades, indústrias e propriedades rurais. Biodigestão, biogás e processos térmicos se complementam e cobrem praticamente todo o espectro de materiais descartados, cada um respondendo a uma necessidade específica de tratamento.

Dessa maneira, o maior ganho está em encarar o resíduo como matéria-prima, não como problema a ser descartado. Essa mudança de olhar aproxima setores públicos e privados de um modelo energético mais limpo, resiliente e compatível com as necessidades reais de cada território.

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